A saída, 19 de fev 2009
Finalmente estamos saindo de casa, desde que saí da Tecsis em outubro, achava que em dezembro estaria voando. Desde então não parei de trabalhar pondo tudo o mais operacional possível para evitar ter que parar por problemas ou falta de documentação. Quanto a documentação ainda estamos esperando a papelada de registro da aeronave na ANAC , eles costumam demorar e não emitem um certificado temporário enquanto isso. Decidimos ir assim mesmo ! !
Havia comentado com meu irmão Edu sobre a dificuldade de ter que entrar no Rio de Janeiro onde ele mora para pegar com meu prestimoso amigo André Xavier umas peças de manutenção do Flyboat as quais trouxe dos EUA ao aproveitar sua viagem de negócios.Viajar com o Flyboat agregado a uma carreta atrás do carro é uma guerra. Você tem que se acostumar com o tamanho do conjunto. Não consegue vaga para estacionar, atrapalha todo mundo, fica lento nas decisões, fica exposto aos observadores ou aos ladrões, tem que ficar alerta ao comportamento da carreta e, principalmente, não entra em nenhuma garagem normal e assim não pode tirar da atenção dos curiosos de plantão durante um pernoite.Não me agrada a passagem pela Linha Vermelha ou Av Brasil ou ainda a Dutra perto de Nova Iguaçu. Me restou entrar e sair do Rio no mesmo dia e,... rápido.
Era previsto sair as 6:00 da manhã. Seguindo rigorosamente a programação,... saímos as 10:30.
Bom, deveríamos passar por New Iguassu acima das 10 am para não engarrafar e isto nós conseguimos. Engarrafamos um pouco antes da L Vermelha mas no fim estávamos telefonando para Dani e confirmando nossa chegada a Urca. Avisei meu irmão Dudu que trabalha no CBPF de nossa chegada e ficamos de nos encontrar na frente da UniRio para dividirmos a muamba que Andrézinho trouxe dos EUA. Pegamos Dudu como previsto e nos dirigimos a casa da Dani (esposa de André e “mãe” de Lancelot , um Labrador de alma limpa, que nos recebeu com grandes lambidas e algumas mastigadas . Dani o educou muito bem, é impressionante como obedece).
Na casa de André e Dani deixamos o carro e carreta em frente ao prédio tampando a entrada da garagem. Como não havia vaga na calçada, estacionamos na rua com o piscalerta ligado. Agravando a situação descobrimos que na rua passava ônibus e o outro lado estava cheio de carros estacionados não restando vaga. Não preciso dizer que cada ônibus tinha quase que parar para não arrancar o retrovisor (já recolhido) da camionete para poder passar . A conversa foi toda hora interrompida pelos olhares que trocávamos a cada ônibus ou caminhão que freava em cima para não bater. Acho que minha mãe foi devidamente reverenciada pelos motoristas.
Finalmente um morador do mesmo prédio do André e Dani resolveu chegar e reivindicar o seu direito de entrar em sua garagem. As 16hs terminamos prematuramente a conversa ficando com aquela impressão de saudade e vontade de conversar mais.
Após troca de abraços nos despedimos deixando logo após Dudu na UniRio e partimos em direção a Niterói. Foi muito bom encontrar a Dani pois já havia uma cara que não nos encontrávamos. Falou-nos também de vender seu equipamento de vôo de paraglider, por motivos vários que não a paixão por voar. Disse que estava dando um tempo. Espero que ela volte a voar, Dani sempre nos acompanhou nos vôos e fará falta não vê-la pela rampa!
Também foi muito bom ver Dudu possivelmente pela última vez antes de sua partida a Lisboa.
Andar no Rio com carreta foi um tanto “diferente”.
Finalmente estamos saindo de casa, desde que saí da Tecsis em outubro, achava que em dezembro estaria voando. Desde então não parei de trabalhar pondo tudo o mais operacional possível para evitar ter que parar por problemas ou falta de documentação. Quanto a documentação ainda estamos esperando a papelada de registro da aeronave na ANAC , eles costumam demorar e não emitem um certificado temporário enquanto isso. Decidimos ir assim mesmo ! !
Havia comentado com meu irmão Edu sobre a dificuldade de ter que entrar no Rio de Janeiro onde ele mora para pegar com meu prestimoso amigo André Xavier umas peças de manutenção do Flyboat as quais trouxe dos EUA ao aproveitar sua viagem de negócios.Viajar com o Flyboat agregado a uma carreta atrás do carro é uma guerra. Você tem que se acostumar com o tamanho do conjunto. Não consegue vaga para estacionar, atrapalha todo mundo, fica lento nas decisões, fica exposto aos observadores ou aos ladrões, tem que ficar alerta ao comportamento da carreta e, principalmente, não entra em nenhuma garagem normal e assim não pode tirar da atenção dos curiosos de plantão durante um pernoite.Não me agrada a passagem pela Linha Vermelha ou Av Brasil ou ainda a Dutra perto de Nova Iguaçu. Me restou entrar e sair do Rio no mesmo dia e,... rápido.
Era previsto sair as 6:00 da manhã. Seguindo rigorosamente a programação,... saímos as 10:30.
Bom, deveríamos passar por New Iguassu acima das 10 am para não engarrafar e isto nós conseguimos. Engarrafamos um pouco antes da L Vermelha mas no fim estávamos telefonando para Dani e confirmando nossa chegada a Urca. Avisei meu irmão Dudu que trabalha no CBPF de nossa chegada e ficamos de nos encontrar na frente da UniRio para dividirmos a muamba que Andrézinho trouxe dos EUA. Pegamos Dudu como previsto e nos dirigimos a casa da Dani (esposa de André e “mãe” de Lancelot , um Labrador de alma limpa, que nos recebeu com grandes lambidas e algumas mastigadas . Dani o educou muito bem, é impressionante como obedece).
Na casa de André e Dani deixamos o carro e carreta em frente ao prédio tampando a entrada da garagem. Como não havia vaga na calçada, estacionamos na rua com o piscalerta ligado. Agravando a situação descobrimos que na rua passava ônibus e o outro lado estava cheio de carros estacionados não restando vaga. Não preciso dizer que cada ônibus tinha quase que parar para não arrancar o retrovisor (já recolhido) da camionete para poder passar . A conversa foi toda hora interrompida pelos olhares que trocávamos a cada ônibus ou caminhão que freava em cima para não bater. Acho que minha mãe foi devidamente reverenciada pelos motoristas.
Finalmente um morador do mesmo prédio do André e Dani resolveu chegar e reivindicar o seu direito de entrar em sua garagem. As 16hs terminamos prematuramente a conversa ficando com aquela impressão de saudade e vontade de conversar mais.
Após troca de abraços nos despedimos deixando logo após Dudu na UniRio e partimos em direção a Niterói. Foi muito bom encontrar a Dani pois já havia uma cara que não nos encontrávamos. Falou-nos também de vender seu equipamento de vôo de paraglider, por motivos vários que não a paixão por voar. Disse que estava dando um tempo. Espero que ela volte a voar, Dani sempre nos acompanhou nos vôos e fará falta não vê-la pela rampa!
Também foi muito bom ver Dudu possivelmente pela última vez antes de sua partida a Lisboa.
Andar no Rio com carreta foi um tanto “diferente”.

Seguimos para a ponte Rio - Niterói onde pegamos um trânsito intenso, para então seguirmos para Campos. A esta altura o sono já batia pelo cansaço acumulado e noites mal dormidas e, lá pelas 8:30 tentamos parar em Casimiro de Abreu no hotel Patropi mas estava lotado. Tomamos informação de outro hotel no Km 175 e fomos para lá meio receosos mas para nossa surpresa encontramos a Pousada da Serra , simples com custo/benefício muito bom (veja fotos), onde conversamos com a galera Camioneira e tomamos informações sobre a estrada desfrutando histórias hilariantes sobre caminhões e vida de caminhoneiro. Não preciso dizer que a primeira pergunta foi sobre o que carregávamos na carreta atrelada ao carro. Depois de explicações e terminando em como voamos de paraglider sem motor e como fazemos vôos de mais de 4 horas e 70 km, etc.... fomos dormir para continuar no dia seguinte provavelmente até Eunápolis a uns 900 Km de onde estávamos.

20/02/09
Como combinado com Téa saímos as 7:00 em direção à Eunápolis. A viagem decorreu sem incidentes . Seguiu asfalto bom até a divisa de estado RJ-ES. Após a divisa o asfalto piorou substancialmente mas nada grave. A passagem de Mimoso do Sul até Vitória foi suave. Estávamos em local conhecido. Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Ubá, Pedra Azul, Venda nova do Imigrante, Caco do Pote, Alfredo Chaves, Campinhos, Irirí (Restaurante Gaeta), Meaipe, Viana, ....e muito mais , fazem parte da região mais bonita em que voei no Brasil até hoje. O contraste do litoral com as montanhas se faz presente nos diferentes climas, vegetações, costumes, comidas, “no ar, na terra e no mar” como diria o Gu (agora mais conhecido como pai do Enrico e marido de Paola, conhecido como um dos Pterodáctilos do vôo de paraglider).
Durante um período de minha vida, os resgates cruzavam estas estradas tentando nos encontrar após os vôos. De aerologia complicadíssima, os locais de vôo na Serra do Caparaó no ES, estão entre os mais bonitos mas os mais técnicos que já conheci. Pilotos e grandes amigos como Serginho Leite que trouxe o vôo de Paraglider para o ES, junto com o famoso Frank Brown várias vezes campeão Brasileiro e várias vezes bem colocado em competições internacionais, fazem parte da história do paraglider do Brasil e do ES. O pai do Frank , o famosíssimo Morris Brown um dos fundadores do Vôo livre no ES, campeão brasileiro de vela em Snipe, foi meu instrutor de barco a vela quando eu tinha 11 anos, mas isso é outra longa história de quando morei moleque em Vitória. Tudo ali me recorda partes ótimas de minha vida. É sempre bom voltar a ver aquelas montanhas e estradas.
Passamos por Vitória e seguimos até Itamarajú, a 180 km de Porto Seguro, na beira da BR101. A decisão de parar as 20:30 em Itamarajú foi estratégica pois, se chegássemos a noite em Porto sem hotel reservado em pleno Carnaval, correríamos o risco de não encontrar vaga principalmente para a carreta e ter que voltar a BR. Paramos no Hotel Monte Pascoal que nos ofereceu bom estacionamento (grande e com vigia) e bom custo benefício e, é claro, a hospitalidade do povo baiano, mundialmente conhecida.
Descobrimos que o carregador da bateria da máquina fotográfica queimou e não podíamos tirar fotos. Tiramos as que deu e ficamos sem baterias.
Jantamos, escrevemos e dormimos não necessariamente nesta ordem nem nestes itens. Amanhã seguiríamos cedo para a festa !

21/02/09
Acordamos 7:00, Café e estrada. Seguimos para Eunápolis, entramos para Porto Seguro aos 30 km entramos para Arraial d’ajuda e Trancoso. Esta estrada não existia da ultima vez que estivemos lá. Agora é asfalto até Trancoso. Chegamos em Arraial e enfrentamos centenas de quebra-molas até chegar a Ponta do Apaga Fogo, onde pretendíamos ver se existia mar abrigado de ondas para a operação. Um quebra-molas gigante sob a sombra nos fez pular e soltar um parafuso de fixação da placa da carreta e, um pouco mais tarde soubemos, também soltou uma tira de aço de fixação do filtro de ar da Nissam que mais tarde arrumamos. Por causa da placa, paramos logo perto da barca de travessia Arraial – Porto Seguro e por isso fomos subitamente interpelados por um motoqueiro chamado Ivan que se apresentou perguntando onde iríamos voar. Conversa vai, conversa vem, soubemos que Ivan era “O cara do vôo duplo de paraglider”. Possuía escola e estava a três anos operando por aquelas bandas. Também nos contou sobre um acidente fatal de Parasail com uma promotora de justiça de BH ao decolar em Porto Seguro. Seu cinto de vôo rompeu e ela caiu de 50 metros de altura na areia em frente às filhas. Este acidente mostra que as coisas não mudaram ainda nos prestadores de serviços de esportes radicais.
Para nós significou a partida de Porto Seguro, Arraial, Trancoso e Cabrália porque a prefeitura proibiu logo em seguida todos os esportes desde caiaque e até vôo de helicóptero.
Brasil é assim, um faz besteira todos pagam indiretamente.
Ocorrido isto, paramos para reaparafusar a placa, confirmamos a história e as 12hs seguimos em frente.
Próxima parada seria Ilha de Comandatuba com 360 apartamentos e diária no Carnaval em torno dos R$1600, fora do carnaval R$ 1080. Único hotel nas redondezas e em uma ilha. Decidimos esquecer e avançar até Ilhéus e ver qual seria a situação por lá.
Pé na estrada e ... Itabuna e... Ilhéus as 16:00 hs.
Cidade de Jorge Amado, grande, muitas praias, mas poucos locais de decolagem com o aeroporto nos arredores da cidade.
Não nos pareceu muito promissor e tomamos estrada e fomos para Itacaré. Viajamos até escurecer sem muito movimento na estrada até chegarmos a Itacaré. Era carnaval e nos lembramos ao entrar na cidade, parecia que o mundo havia ido todo até lá. Gente de todas as raças, credos, cor, sexo.....todos em Itacaré e , nós lá de camionete e com a carreta atrelada. As ruas ficavam mais estreitas a medida que entrávamos na cidade. A todo o momento saía gente por todos os cantos. Imaginava a toda hora a situação em que não conseguiríamos mais andar e acabaríamos entalando o trafego, naturalmente o povo nos xingaria e acabaríamos surrados em pleno carnaval pela turba enfurecida. A cada curva, a coisa ficava mais e mais difícil. Paramos para perguntar pela Praia da Concha e travamos o tráfego. Após nos livrarmos do embaraço entramos em uma estrada de barro com milhões de buracos nos esperando. Paramos em uma pousada para perguntar se tinha vaga mas não havia vagas. Fomos à outra e confirmamos que os estacionamentos da maioria das pousadas , mesmo as de luxo, eram as calçadas ou a rua. Começamos a imaginar a operação tendo que guardar o barco na rua e ...... Resolvemos parar em um camping na entrada da cidade, dormir e ir embora ou tentar conhecer melhor a cidade pela manhã para tirar a má impressão. Começou a chover e as estradas viraram lama.
Atravessamos de novo toda a cidade, cheia de bêbados querendo dar uma de guarda de transito sem sequer conseguir parar em pé. Conseguimos sair e voltamos para o Camping na entrada da cidade. Cinco realetas a diária por cabeça. Sendo a única opção para a carreta, ficamos lá mesmo. Tivemos até o direito de ouvir a discussão de um bêbado com sua namorada e amigos as 3 da madruga nas barracas ao lado. Também uma discussão entre outros vizinhos as 7 da manhã sobre o interessantíssimo assunto do direito de utilização das águas de um poço com gritos e barulhos. Tudo isso “de grátis”, ahh, tem mais ainda, o banheiro era um “Epetáculo”, o chuveiro era de água fria, chão e vaso imundos, só nos atrevendo a tomar banho com chinelos, muito bom mesmo, quanta saudades de casa !. O dono era uma figura. Gente boa mas totalmente sem noção. As 7:30 , fugimos de lá após acordarmos o dono para poder pagar. Ao menos a barraca e colchão inflável que compramos passaram no teste com louvor.
22/02/09
Seguimos para a cidade e fomos à Praia das Conchas, que nos pareceu uma boa opção desde que o vento fosse preferencialmente nordeste. Seguimos para a orla principal e fomos em direção ao rio. Repentinamente estávamos em uma fila sem capacidade de retornar. Perguntamos aos presentes e nos disseram que estávamos na fila da Balsa que cruza o rio que orla a cidade e segue para Barra Grande. Diante disso, pensei em conhecer o outro lado. Após uma hora de espera a fila andou e vimos outro carro com carreta fazer uma manobra complicada no único lugar mais largo, e seguir para a balsa de ré. Téa desceu do carro e foi ver o que acontecia. Descobriu que devido a maré a balsa ficava baixa na rampa de entrada e a carreta batia o fundo ao entrar na balsa. Tivemos que parar o transito, manobrar na única parte mais larga da rua e voltar porque para nós só com maré cheia a balsa ficaria em posição boa para entrar com o carro e carreta.
Voltamos e tentamos encontrar um local que permitisse guardar o barco e carro e tivesse acesso ao rio para podermos descer o barco, montar e decolar para ir voando até a Praia das Conchas ou outra que nos conviesse. Após andar um tanto encontramos uma saída ao rio e também algumas pousadas. Conversando com o chileno Nelson, fugido do Chile e Pinochet a alguns anos morando no Brasil, finalmente encontramos uma pousada de um Neo Zeolandês chamado Bem, com a infraestrutura e preço razoável considerando estarmos em pleno Carnaval e ali ficamos por ser a única opção que cabia a carreta.

Estacionamos a carreta após muita manobra e finalmente desengatamos a carreta do carro para nos acomodar e irmos almoçar. Fazia dois dias que não parávamos para comer.
Encontramos uma comida por quilo boa no restaurante Senzala na orla da cidade, almoçamos, voltamos ao hotel, arrumamos mais ou menos as coisas e telefonamos para minha mãe que fazia aniversário. Saímos mais tarde para comer caranguejo e dormimos. Choveu bastante durante este dia.
Fiz uma gambiarra com os carregadores dos rádios para por alguma”carga nas baterias da máquina e assim tirar umas poucas fotos. Segue no Blog duas fotos da pousada com a carreta e Frontier atrelada.
Pela manhã começaríamos a preparar o Flyboat para o vôo. Se tudo der certo, dia 23 Fev de 2009, no aniversário da Téa, será um bom dia para começar a voar !

Queridos padrinhos mágicos, sentimos falta de dar feliz aniversário à Téia no dia 23. Adoramos a idéia do blog. Espero que vcs encontrem paciência e tempo para escreverem. Vcs são muito corajosos desde sempre e espero que Deus os abençoe nessa aventura.
ResponderExcluirEscrevam sempre. Estamos com saudades.
Muito sucesso. Muita saúde e vento laminar de frente.
Forte abraço,
Família Frigini