Acordamos as 6:30 e começamos a preparar o FIB mas o clima não ajudou pela manhã.
Novamente discutimos sobre a possibilidade de voar ou não e resolvemos que aproveitaríamos o dia chuvoso para conhecer as praias de Barra Grande. Antes porém, ficamos um tanto decepcionados pois parecia que todos haviam ido embora com o término do Carnaval. Fomos a um hotel caro na ponta da praia e perguntamos sobre ocupação e descobrimos que o movimento havia caído 40%. Parecia que não valia a pena montar o FIB. Voltamos a pousada para arrumar as coisas para a ida a Barra Grande.
Junto conosco no domingo, havia chegado ao hotel uma garota que logo fizemos amizade chamada Renatha. Após alguns dias nos falamos e ficamos mais amigos e descobrimos que ela era mineira e morava em Itacaré a 4 anos e gostava de surfar, pedalar, fazer caminhada, ou seja esportista. Tomamos algumas informações com ela a respeito das praias e como íamos a Barra Grande, decidimos chamá-la para ir conosco. Ficou um pouco na dúvida devido ao conflito com o horário de trabalho, mas pensou melhor e resolveu nos acompanhar. Partimos perto do meio dia achando que cruzaríamos a balsa rápido (30 minutos), e estaríamos em uma hora em Barra Grande. Ledo engano !
Esperamos uma hora e meia só na fila da balsa. Atravessamos o pequeno trecho de balsa, e entramos em uma estrada de barro e cheia de buracos e piscinas que as vezes molhava a frente e o capot da Frontier. Quando não era barro era uma seqüência interminável de buracos que só acabou uma hora e meia mais tarde em Taipús de Fora para continuar até Barra Grande e depois tomarmos ciência de que tínhamos que voltar pelo mesmo caminho e enfrentar tudo de novo.
O resultado foi que vimos praias lindas e cidades bem legais ainda em crescimento com os preços de imóveis em franca elevação. Soubemos também que Itacaré será local de um hotel 6 estrelas (o segundo do mundo) que já está em andamento.
Na volta vimos duas Land-Rovers quebradas no caminho, dentre as inúmeras que fazem o passeio Itacaré-Barra Grande diariamente. Ficamos impressionados com a quantidade de pessoas encarando essa estrada, inclusive em carros pequenos e comuns. A galera enfrenta a estrada como uma atração. No Inverno aqui chove mais e é mais barro e mais buraco sendo as Land as rainhas da estrada, só elas passam. Os operadores mais cuidadosos lavam as Land todos os dias e trocam óleo do diferencial frequentemente pois é normal entrar água devido as grandes poças de água que cruzam durante a ida e volta de Barra Grande.
Ficamos a imaginar como levaríamos a carreta passando por aquela estrada e desistimos de qualquer idéia de operar em Barra Grande. O preço da gasolina em um posto sem bandeira era aproximadamente 3 reais. Definitivamente seria uma furada e não iríamos gastar tempo com isso. Voar pelo trajeto talvez fosse viável porém deveríamos estabelecer uma rota segura com pousos em locais alternativos. Ficamos a viajar na idéia durante a volta.
Chegamos as 6:50 da tarde na fila da balsa de retorno e desta vez atravessamos em 20 minutos. Renatha saiu “voando” para o trabalho e nós fomos comer.
Conversamos com um “faz tudo” local chamado Carlito muito gente boa e amigo de Eliude, também indicado por este para o contratarmos . Nos ajudaria no dia seguinte e se desse certo, nos outros dias também, nos aliviando bastante o serviço pesado da montagem e desmontagem do FIB que pesa 230 kg, e também na operação dos vôos.
Por mais que tenha trabalhado nos meses anteriores à saída para facilitar toda essa operação diária, ainda assim é bem pesado para mim e Téa, e uma pessoa forte e esperta como o Carlito facilitaria muito.
Fico admirado com a disposição e força do André Laghi (irmão do Lula) que voa na Praia do Francês a 4 anos, pois ele e um ajudante montam e desmontam todo dia e completamente, não parcialmente como nós, e sem as engenhocas que inventei para fazer menos força.
Dormimos torcendo por uma melhora do tempo para o dia seguinte.
27/02/09
O tempo estava um pouco melhor e resolvemos arriscar. Falamos com Carlito e partimos para a montagem que desta vez foi bem mais rápida e menos dolorosa.

Praia da Passagem (rio)
Logo estava voando para teste e descobri que o dia ia ser Punk ! Haviam térmicas espalhadas por todo o caminho da praia, ventos cruzados em altitude e nuvens escuras no horizonte. Pousei perto do local de montagem e resolvemos esperar a chuva chegar já montados mas abrigados num local que nos protegia de vento vindo desde leste até sudoeste restando as outras direçoes que nós mesmos cuidaríamos do FIB amarrando-o ao chão em estacas de inox fincadas ao solo que previamente tinha feito. Assim, passou a chuva que só molhou e ventou fraco.
Antes de sairmos de São José, passamos por uma situação semelhante em São Sebastião durante um teste de esquema de montagem e voo. Só percebemos a formação da tempestade tarde demais por estarmos montando o FIB devagar e esquematicamente, abrigados debaixo de uma castanheira a beira da praia. Quando a tempestade se fez presente roncando, já estávamos abertos e demoraríamos 30 minutos para fecharmos . Decidimos encarar a chuva segurando o FIB eu e Téa amarrando o nariz da asa ao carro por uma corda. Assim passamos 2 horas e meia debaixo de ventos e chuvas fortes não podendo sair dalí sob risco do FIB ser arrastado pelo vento. Daí veio o óbvio, tinhamos que ter umas estacas para nos ajudar.
Tempo aberto, resolvemos decolar novamente para outro vôo de reconhecimento só que desta vez fui eu e Carlito (95kg) com o tanque de combustível cheio. Corremos um bom tanto como lancha até que decolamos e começamos a subir. Decolagem sofrível mas vôo legal porém subindo lento.

Voamos pela cidade e praias e retornamos ao local de desmontagens para que Carlito ajudasse Téa a deixar a carreta na pousada.
Dei um tempo, decolei, voei rápido até a Praia da Concha. Pousei com vento leste vindo de um extremo da praia e bem chacoalhado mas ainda passível de operação. Logo Tea e Carlito chegaram e ficamos toureando gente e perguntas porém o movimento estava fraco mesmo. Conseguimos fazer apenas 3 voos no total com uma chuva no meio deste tempo que nos fez ir a ponta da praia para que nos abrigássemos durante sua passagem. Desta vez, um pouco mais abrigados só esperamos a chuva de verão passar. Um Instrutor de voo de Jundiaí nos vendo naquela situação chegou para nos ajudar e conversamos durante a chuva. Fiquei de passar pelo Aeroclube de Jundiaí quando estivesse visitando minha irmã. Interessante estas coincidências; aparecem o tempo todo. Como diria o Lapa (grande figura e amigo), “Avatar !“.
Nesse dia voei com 2 meninas irmãs, e uma delas falava pelos cotovelos e perguntava tudo, dizendo que ela tinha muitas dúvidas na cabeça! E quando estávamos alto no céu disse: “A minha avó tá aquiiii!” fazendo um gesto amplo com a mão. “Ela morreu! Ela tá por aqui óóó...”. Que figurinha!

Voltamos para o local de embarque as 16 horas. Ainda dei um vôo com o Ben (dono da pousada). Conseguimos desmontar tudo em 40 minutos seguimos para casa para lavar e passar vaselina no motor e cobrir o FIB terminando tudo as 19 horas. Seguimos para a almojanta e voltamos a casa decidindo voar sábado e domingo para então possivelmente seguir viagem. Um certo desânimo nos acompanhava, esperávamos mais um pouco do local. Comemos na “Bodega” onde Renatha trabalha. Boa comida e boa cerveja. Cerveja Nobel da Bahia, leve e parecida com a Bohêmia antiga, antes do advento da Ambeve.
28/02/09
Sábado. Tomamos este dia como confirmação.
Notamos que nesta parte da Bahia, o clima pela manhã segue uma rotina. Ao amanhecer o horizonte segue relativamente limpo logo que sai o Sol. Aí começam as primeiras formações de nuvens que rapidamente se transformam em chuva. Como a terra está fria, o vento terral predomina próximo ao chão e o leste predomina mais alto.....Novamente parecia um dia perdido. Decidimos não abrir novamente e aproveitamos para fazer algumas manutenções no FIB. Limpei e refiz a proteção do bordo de ataque das pás da hélice. A água em contato com a hélice em rotação, costuma destruir todo o bordo de ataque. O óleo que sai do escape aos poucos vai deixando negra as pás se não passarmos uma cera de carro. Procurei trincas na estrutura e coisas soltas no motor. Ajustei e fotografei as velas para ter como registro futuro.
Á noite comemos no “Zé Senzala” que sempre nos proporciona comida boa a preços de São José e onde provei de sobremesa uma torta de tapioca doce muito boa. Ao lado do restaurante tinha uma Lanhouse onde aproveitamos para publicar algo no blog.
Voltamos para casa esperando um dia melhor após dormirmos.
01/03/09
Domingo. Amanheceu o dia como o anterior sendo que um pouco melhor ou eu já arriscava mais achando que o dia melhoraria .
Abrimos para voar . Mesma rotina até o pouso na Praia da Concha. A praia estava um pouquinho mais movimentada, mas demos só uns 6 voos sem maiores surpresas. Conhecemos gente nova que para variar era de São Paulo e BH. Aqui vão algumas fotos.



As duas horas parou completamente o movimento. Falei com Téa que iria dar um vôo até o Porto da Balsa do lado de Maraú para ver se tinha turistas interessados por lá. Decolamos eu e Carlito e preguiçosamente fomos para lá onde Carlito me ajudou segurando o FIB enquanto eu ia conversar com alguns turistas que esperavam a Balsa para serem transportados a Itacaré. Todos Israelenses, e o motorista da Van disse que os trazia de Morro de São Paulo. Decolei para um voo de demonstração sendo seguido pelos olhos do grupo que se formou de curiosos porém muito desconfiados. Sem sucesso na empreitada, decolamos de volta para a Praia da Concha. As tres e meia da tarde, com o movimento parado e o sol escaldante, resolvemos parar . Calian, filho de Carlito estava por lá. levei ele de FIB para o local de desmontagem no rio que é a Praia do bairro da Passagem.Pousamos e logo desmontamos o FIB, seguindo a mesma rotina de arrumar as coisas da operação, lavar o FIB, passar vaselina no motor para proteger da corrosão e cobrir o FIB.
Fomos tomar um belo banho. Estávamos quebrados, não do trabalho mas do dia inteiro no sol.
Encontrei Gary (um outro hóspede),ao subir para o quarto e perguntei onde estavam porque acabei não os encontrando mais na praia. No dia anterior Gary havia me falado que partiria para Irlanda em dois dias e que queria voar. Disse que foram tomar cerveja e quando viram já havíamos partido. Ficamos de voar no dia seguinte.
02/03/09
Resolvemos abrir com a promessa de que 4 gringos iriam voar. Dois furaram. Só vieram dois. Tomamos um chá de praia dos bons.
Aproveitamos eu e Téa para dar um voo mais longo e alto e tirar umas fotos mais legais. Voamos a uns 1000m enxergando Ilhéus ao longe e do outro lado Barra Grande.



Pousamos e,..... mais chá de praia.
Lá pelas tantas tentei de novo ir para o porto e de novo não consegui nada exceto conhecer alguns Australianos que se chegaram para perguntar sobre o FIB e pedir informações de pousadas que passei prontamente. Quando ia sair para encontrar a Téa e Carlito na praia da Passagem o motorista da Van que vinha de Valença, se aproximou e pude ver que era o mesmo do dia anterior. Ele me pediu para que fosse falar com Alex da Agencia Mix Brasil sobre o FIB.
A noite após toda a missa de desmontagem do FIB, passamos pela Mix Brasil e conhecemos Alex e um pouco mais sobre o movimento turístico da cidade. Alex nos pediu um material de apresentação como folders, cartazes , etc... Dissemos que íamos tentar providenciar e falaríamos com ele no dia seguinte. Saimos sabendo que se fôssemos por este caminho, teríamos que parir esta apresentação e folders durante os proximo dia e ao invés de simplesmente encostarmos em uma praia e voarmos estaríamos agindo com um compromisso com agências e horários. Tinhamos dúvidas se este caminho seria um bom caminho a trilhar. A vida de ciganos do ar nos pareceu mais atrativa apesar de estarmos em baixa temporada.
No caminho de ida a MixBrasil encontramos o figurasso Maurílio que veio para cá a uns vinte anos atrás e após algumas peripécias comerciais, comprou uma ilha no rio e vive lá dando passeios de lancha ao longo do rio como sua fonte de renda. Nos viu um dia voando e nos ofereceu muitas informaçoes ,sua alegria e espontaneidade. Muito conhecido na cidade nos apresentou Anselmo dono de outra agencia de turismo pequena mas querendo crescer. Nos pediu material também, aumentando nossas dúvidas a respeito do marketing e suas responsabilidades.
03/03/09
Após longa conversa , desistimos de preparar as coisas para ir embora dia seguinte e resolvemos que nos apresentaríamos aos principais receptivos, resorts e hotéis de modo a nos tornar conhecidos pelos formadores de opiniões da cidade e deixarmos uma imagem positiva e profissional, mesmo que fosse somente para a próxima temporada. Não era o que estávamos propostos a fazer, mas resolvemos ficar mais um pouco de tempo e observaríamos a resposta das agências e hotéis. Mataríamos nossa curiosidade quanto a eficiência de fazermos aquilo fora da temporada e se isto valeria a pena ser feito em outros lugares no futuro.
Passamos o dia trabalhando no folder e material de apresentação para os contatos.
Não havia gráfica em Itacaré e resolvemos que iríamos nos apresentar eletronicamente. Rapidamente pus minha experiência adquirida na Embraer de fazer apresentação para qualquer coisa. Comecei a achar a coisa extremamente familiar e logo me veio aquele arrepio de trabalho em escritório. Refiz meu ânimo e continuei. Téa editou e refez os pontos fracos e assim foram várias versões. Tínhamos umas poucas fotos que não foram dirigidas a este fim mas.....
À noite tihamos algo que mostramos a Alex. Com suas impressões corrigimos fotos e dizeres.
04/03/09 e 05/03/09
Continuamos trabalhando no material de apresentação que finalmente se apresentou razoável.
A foto abaixo é uma entre várias que compõem a apresentação, onde explicamos a rota básica e ilustra bem o nosso voo.
Fomo a poucos lugares, sendo que 2 dos contatos nos pareceram mais promissores.
Isabela, relações públicas de 1 dos resorts, muito lindo, em praia particular, ficou muito empolgada.
E a CVC também mostrou bastante interesse, porém teríamos que esperar para ver a real resposta desses contatos.
06/03/09
Verifiquei as velas e constatei que ainda carbonizavam um pouco. Resolvi descer a agulha principal do carburador 1 ponto para ver se melhorava. Li bastante sobre isso nos manuais e regulei o motor do FIB trocando também as velas de 12 horas de voo por novas.
Téa cuidou de editar novamente fotos e informações para uma configuração melhor.
07/03/09
Começou a manhã chovendo com terral forte.
Nuvens nos cercavam e cresciam. Resolvemos que não iríamos abrir. Deixaríamos para voar no domingo.
Conversei um pouco com o Ben e soube um pouco mais de sua vinda ao Brasil e que ele trabalhava reformando casas em Londres, Aspen e outras cidades ricas. Sua especialidade é marcenaria. Faz uns trabalhos bem legais em contrução de casas ,decks e varandas.

Ei, Heringe e Tea, legal ler os relatos da viagem.Sempre q possível, continuem escrevendo, guardem material para o futuro livro (que, por óbvio, acontecerá e será lido por muitas pessoas, I'm sure!), interessante que, mesmo querendo a vida de "ciganos do ar", sempre aparece oportunidade para tornar o lance "mais profissional".São as escolhas da vida...Bj, continuem atulizando o blog, se vcs forem ficar um tempo maior em algum lugar, vamos visitá-los.Renata e Clara
ResponderExcluirPadrinhos mágicos,
ResponderExcluirDepois de uns dias clicando em vão apareceram notícias - que bom!
A foto do baiano voando foi votada a mais exótica aqui em casa. Com tanta coisa bonita na paisagem, o Hering ainda achou espaço para se virar e tirar foto do tiozinho. Tanto tempo trocando pilha de gps em térmica deixa o sujeito com muitas habilidades mesmo.
Muita paz para vcs. Se estressar na Bahia não pode não!
Família Frigini
E ai cara, muito legal a experiência. Quando der vamos visitar voces. Eu tenho uma amiga que mora ai em Itacaré, chama-se Thais ela disse: "fala pra ele vim na minha imobiliaria, fica na Pituba, chama Costa do Cacau Imoveis em frente ao restaurante casa de taipa". Se der vai lá falar com ela, a mãe dela mora a muitos anos ai, deve conhcer bastante gente. Saudades de voces, quando der escrevam mais, ta bem legal de ler. Da muita vontade de ir para ai também. Manda beijos para a Teinha. abraços Xande
ResponderExcluirQueridos Tea e Hering, estamos acompanhando empolgados o dia a dia de voces. Continuem mandando noticias...
ResponderExcluirBeijos,
Claudio, Glaucia e Camila
Oi, Hering e Teinha!
ResponderExcluirComo vcs estão? Que saudades!
Foi bom descobrir que estão nessa mais nova aventura.
Vou acompanhá-los.
Adoramos vocês e estamos com saudades.
Beijos,
Pri e Gui